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A regulamentação dos bioinsumos e o embate entre ciência e i

A atual discussão sobre a regulação de bioinsumos no Brasil revela um conflito entre a inovação sustentável e pressões corporativas que preocupam o setor agríco

A atual discussão sobre a regulação de bioinsumos no Brasil revela um conflito entre a inovação sustentável e pressões corporativas que preocupam o setor agrícola.

É profundamente preocupante observar o atual cenário da regulamentação dos bioinsumos no Brasil. Enquanto a comunidade global exige a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis e o país se projeta como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, os bastidores em Brasília revelam uma disputa de poder onde interesses comerciais e ideologias parecem se sobrepor ao rigor científico.

Não é exagero classificar a situação atual como um retrocesso histórico. O desenrolar desse processo representa um desrespeito direto ao trabalho de pesquisadores, cientistas e produtores rurais que buscam alternativas mais eficientes e menos agressivas ao meio ambiente.

O texto do decreto em discussão apresenta um panorama desolador. Instituições que deveriam ser pilares da inovação e do desenvolvimento tecnológico, como a Anvisa, o Ibama e a Embrapa, parecem estar atuando como entraves ao progresso. Em vez de fomentar o acesso a tecnologias biológicas, esses órgãos estão criando barreiras que se tornam, na prática, intransponíveis.

Um dos pontos mais críticos dessa regulamentação é a restrição imposta à produção de bioinsumos realizada dentro da própria propriedade rural, o chamado modelo on farm . Sob a justificativa de garantir segurança e controle, o que se observa é a criação de obstáculos que dificultam a autonomia do agricultor.

Entretanto, é impossível ignorar a hipocrisia presente nesse discurso oficial. Por trás da retórica de proteção e controle, existe uma pressão evidente exercida por grandes corporações. Essas empresas enxergam na pequena indústria e na produção descentralizada uma ameaça direta ao seu monopólio de mercado.

A obrigatoriedade de que todo produto passe por análises complexas e onerosas, muitas vezes desproporcionais à realidade do campo, serve apenas para consolidar o domínio de quem possui maior capital. Essa estratégia sufoca a inovação local e impede que o produtor rural tenha acesso a soluções mais baratas e eficazes.

O setor produtivo clama por uma regulamentação que seja, de fato, parceira da ciência. O que se vê, contudo, é uma burocracia que ignora a realidade técnica e as necessidades urgentes de uma agricultura que precisa ser, ao mesmo tempo, produtiva e ecologicamente responsável.

Ao dificultar o uso de bioinsumos, o Estado acaba por desestimular a transição para modelos de cultivo mais equilibrados. A ciência, que deveria ser a bússola para a tomada de decisão, é deixada de lado em favor de um protecionismo que beneficia poucos em detrimento da maioria dos produtores brasileiros.

É fundamental que o debate sobre os bioinsumos seja retomado com foco na transparência e na valorização do conhecimento técnico. A agricultura brasileira não pode ser refém de interesses que impedem o avanço tecnológico e a democratização de insumos que são essenciais para o futuro do campo.

Fonte: midianews.com.br