Lá Vem Noticias

AfD enfrenta rejeição e busca apoio em eleições na Alemanha

O partido AfD divide eleitores na Saxônia-Anhalt antes das eleições regionais. Confira agora o cenário político e os riscos de distúrbios no país.

O cenário político na Saxônia-Anhalt, na Alemanha, vive um momento de intensa polarização às vésperas das eleições regionais. No Alten Markt, em Magdeburgo, apoiadores da AfD (Alternativa para a Alemanha) organizaram uma banca de campanha para distribuir material informativo e dialogar com eleitores. Enquanto alguns cidadãos veem na legenda uma solução para os problemas do país, outros mantêm forte resistência às propostas do partido de extrema-direita.

A disputa eleitoral permanece em aberto, com cerca de 26% dos eleitores ainda indecisos, segundo dados do Politbarometer da ZDF. Militantes da sigla, como Ramona Vogel, defendem que o partido é a melhor opção para atender às necessidades de jovens e pensionistas. Por outro lado, membros mais antigos da legenda enfatizam pautas ligadas à segurança pública e à política migratória, defendendo medidas rigorosas de expulsão de estrangeiros.

Propostas da AfD e o debate sobre a inclusão

O programa da AfD para a região traz propostas controversas que geram debates acalorados. Entre os pontos principais, destacam-se:

A implementação de uma política de "remigração" e expulsão de imigrantes. A criação de turmas escolares separadas para filhos de refugiados. O fim do modelo de inclusão escolar para alunos com deficiência, defendendo o retorno ao ensino especial. O deputado regional Christian Mertens argumenta que o foco deve ser a homogeneidade das turmas para garantir o progresso acadêmico. Contudo, especialistas como a professora Conny Melzer, da Universidade de Leipzig, criticam a visão do partido, apontando que a educação inclusiva é respaldada por convenções da ONU e evidências científicas.

A postura da legenda em relação a possíveis alianças também é rígida. Mertens afirmou que a AfD não pretende formar coligações, preferindo atuar como oposição para evitar a diluição de suas diretrizes ideológicas. Vale lembrar que a ala jovem do partido no estado já foi classificada pelo serviço de proteção à Constituição como extremista de direita.

A presença da sigla nas ruas também despertou reações contrárias. O professor aposentado Bernhard Weitzel tem percorrido cidades da Saxônia-Anhalt com cartazes que criticam a retórica da copresidente Alice Weidel. Ele busca dialogar com indecisos, tentando combater o que descreve como uma "catástrofe" para o futuro da Alemanha.

As pesquisas de intenção de voto colocam a AfD com cerca de 41% na região, um dos índices mais altos do país, seguida pela CDU e pelo partido A Esquerda. O cientista político Werner Krause observa que esses números podem tanto mobilizar eleitores a favor da legenda quanto impulsionar o voto útil em outros partidos para impedir sua vitória.

Diante desse clima de tensão, as forças de segurança reforçaram a vigilância em cidades como Magdeburgo, Halle e Dessau-Roßlau. Documentos confidenciais indicam que a polícia se prepara para possíveis protestos, independentemente do resultado das urnas. As autoridades temem tanto manifestações de extrema-esquerda em caso de vitória da AfD quanto atos de grupos de extrema-direita caso o desempenho do partido fique abaixo das expectativas. Para mais informações, acompanhe a nossa categoria de notícias.

Fonte: pt.euronews.com