Aryana Sayeed desafia talibãs com digressão europeia
A cantora Aryana Sayeed realiza digressão europeia exclusiva para mulheres, unindo música e ativismo pelos direitos no Afeganistão. Confira agora.
Aryana Sayeed, uma das vozes mais influentes do Afeganistão, iniciou uma jornada de resistência cultural através de uma digressão europeia. A artista, que precisou deixar seu país após o retorno dos talibãs ao poder em 2021, utiliza sua música como ferramenta de denúncia e esperança. A iniciativa, batizada de “Ladies Only”, é voltada exclusivamente para um público feminino, reforçando o compromisso da cantora com a causa das mulheres afegãs.
A artista, que também atuou como jurada no The Voice Afeganistão , mantém sua luta através da organização DEFAW (Defenders of Equality, Freedom, and Advancement for Women). Segundo Sayeed, a ideia dos concertos surgiu como uma resposta direta às restrições impostas pelo regime talibã, que proibiu o acesso de mulheres à educação, ao mercado de trabalho e até mesmo a espaços públicos.
Aryana Sayeed
A série de apresentações começa em Roterdão, na Laurenskerk, e percorrerá diversas cidades europeias. O objetivo central é criar um espaço seguro onde as mulheres possam se reunir, fortalecer seus laços e amplificar suas vozes contra a opressão. A cantora destaca que, embora esteja fisicamente distante, sua conexão com as mulheres que permanecem no Afeganistão permanece inabalável.
Confira o cronograma inicial da digressão:
Roterdão (Países Baixos): início nesta sexta-feira. Estocolmo (Suécia): 5 de setembro. Hamburgo (Alemanha): 26 de setembro. Wiesbaden (Alemanha): 3 de outubro. Em entrevistas, Sayeed relata conversas devastadoras com mulheres que vivem sob o regime atual. Muitas descrevem sentimentos de inutilidade e desespero devido à exclusão social forçada. Contudo, a artista mantém o otimismo, acreditando que o regime atual é insustentável e que a justiça prevalecerá a longo prazo. Ela enfatiza que a mudança também depende do apoio dos homens afegãos, tanto na diáspora quanto dentro do país.
Além de seu ativismo, a carreira musical de Sayeed transita entre o pop, o R&B e a música tradicional afegã. Suas composições focadas nos direitos humanos já foram interpretadas em instâncias como o Parlamento Europeu e a UNICEF. Para ela, essa vertente de seu trabalho é a mais gratificante, pois oferece um sentido de realização pessoal e coletiva.
Por outro lado, a artista expressa preocupação com o avanço da Inteligência Artificial no setor cultural. Ela critica a capacidade da tecnologia de replicar vozes e vídeos, argumentando que o toque humano é insubstituível. Sayeed reafirma que não utiliza ferramentas de IA, priorizando a autenticidade em sua expressão artística e política. Para mais informações sobre o cenário global, acompanhe nossa categoria de notícias.
Fonte: pt.euronews.com