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Associação Lunaar suspende resgates de animais em Cuiabá

A Associação Lunaar suspendeu o resgate de animais em Cuiabá devido a dívidas e contas bloqueadas. Confira a situação da ONG e como ajudar agora.

A Associação Lunaar , referência no acolhimento de animais em Cuiabá, suspendeu temporariamente o resgate de novos bichos. A decisão foi motivada por um severo agravamento na situação financeira da entidade, que enfrenta o bloqueio de suas contas bancárias desde o mês passado.

Segundo a advogada e voluntária Carla Fahima, a interrupção dos serviços traz riscos imediatos para animais em situação de rua. Ela alerta que, sem a intermediação da ONG para encaminhamento a clínicas veterinárias, muitos animais atropelados ou vítimas de maus-tratos podem não resistir. Portanto, a suspensão pode significar, na prática, o óbito de animais que necessitam de socorro urgente.

Crise financeira na Associação Lunaar

O cenário de crise foi intensificado por um entrave burocrático relacionado à renovação do registro da diretoria. Durante o período de transição e eleição de novos membros, o cartório reteve a documentação, resultando no bloqueio das contas bancárias da organização. Dessa forma, a entidade perdeu o acesso a grande parte das doações recebidas, gerando um descompasso crítico entre as receitas e as despesas fixas.

Além do bloqueio, a ONG acumula uma dívida superior a R$ 300 mil, composta por gastos com clínicas, medicamentos e insumos básicos. A manutenção da estrutura, que abriga cerca de 240 gatos e 140 cães, exige um custo mensal elevado. Entre os principais desafios financeiros, destacam-se:

Custos mensais de aproximadamente R$ 80 mil para cobrir colaboradores e insumos. Consumo superior a 2 mil quilos de ração por mês, totalizando cerca de R$ 30 mil. Necessidade de tratamentos contínuos para animais com doenças crônicas, como leishmaniose e problemas cardíacos. Apesar do anúncio da suspensão, a demanda por ajuda continua alta. Recentemente, uma ninhada de filhotes de gatos foi abandonada e precisou ser alocada na residência de uma voluntária, já que a sede da associação não possui mais capacidade de acolhimento. A situação é agravada pela ausência de políticas públicas municipais específicas para o resgate de felinos.

Carla Fahima ressalta que a entidade atua em uma lacuna deixada pelo poder público. Frequentemente, a associação recebe animais encaminhados pela própria Prefeitura, mas sem o suporte financeiro ou estrutural necessário para mantê-los. A voluntária enfatiza que a organização não recebe auxílio direto do município, dependendo exclusivamente da solidariedade da população.

Para tentar reverter o déficit, a associação promove ações como a venda de rifas e parcerias para doações via conta de energia. Além disso, a ONG realiza eventos mensais de adoção em parceria com o Pantanal Shopping. Contudo, a taxa de sucesso na adoção de animais adultos ou com necessidades especiais permanece baixa, o que mantém a lotação dos espaços da entidade.

A organização também mantém um diálogo crítico com a Secretaria de Bem-Estar Animal de Cuiabá. A entidade tem cobrado maior efetividade nas ações municipais e acompanhado denúncias de irregularidades no atendimento público. Em resposta a questionamentos anteriores, a Prefeitura afirmou que as alegações sobre o Canil Municipal não refletem a realidade e que os casos são tratados com transparência.

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Fonte: midianews.com.br