Cirurgia de Mohs: entenda a técnica de alta precisão contra
A cirurgia de Mohs oferece até 99% de cura no câncer de pele. Conheça os diferenciais desse procedimento micrográfico e por que a informação é essencial.
A cirurgia de Mohs representa um avanço significativo no tratamento do câncer de pele não melanoma, o tipo mais frequente entre os brasileiros. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra anualmente cerca de 220.490 novos casos, o que corresponde a 31,3% de todos os diagnósticos oncológicos nacionais. Contudo, muitos pacientes ainda desconhecem a existência de uma técnica capaz de atingir 99% de eficácia na cura.
Essa lacuna de conhecimento no consultório médico é uma preocupação constante para especialistas. É fundamental que o paciente receba orientações claras antes de decidir pelo procedimento cirúrgico. A falta de transparência sobre as diferentes abordagens impede que o indivíduo faça uma escolha consciente sobre o seu tratamento.
Entenda a eficácia da cirurgia de Mohs
Na cirurgia convencional, o tumor é removido com uma margem de segurança e enviado para análise laboratorial. O problema reside no fato de que apenas 2% a 5% das margens são examinadas. Portanto, um laudo de "margens livres" pode ser impreciso, resultando em possíveis recidivas meses após a operação inicial.
Por outro lado, a cirurgia de Mohs inverte essa lógica através da análise microscópica imediata. O procedimento segue etapas rigorosas para garantir a remoção total do tumor:
Retirada de uma margem inicial mínima, entre 1 e 2 milímetros. Análise do material em microscópio durante o próprio ato cirúrgico. Ampliação da retirada apenas nos pontos onde ainda existem células tumorais. Dessa forma, o cirurgião tem a certeza de que o tumor foi completamente eliminado antes mesmo de o paciente sair da sala. Além da alta taxa de cura, o método preserva o máximo de tecido saudável. Isso é crucial em áreas sensíveis como nariz, pálpebras, lábios e orelhas, onde a preservação estética e funcional é vital.
É importante ressaltar que nem todo câncer de pele exige essa técnica específica. A indicação é precisa e voltada para casos de carcinomas basocelulares e espinocelulares, situações de recidiva ou áreas com pouco tecido disponível. Defender a micrográfica não invalida a cirurgia convencional, mas reconhece suas limitações em cenários complexos.
A baixa adesão ao método no Brasil ocorre por diversos fatores estruturais e logísticos. A formação exige credenciamento pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e treinamento supervisionado prolongado. Além disso, a necessidade de um criostato — aparelho que congela o tecido para análise rápida — e o tempo de execução são determinantes.
Enquanto uma cirurgia convencional pode durar 40 minutos, a técnica de Mohs pode levar até quatro horas. Isso impacta diretamente o volume de atendimentos diários de um especialista. Portanto, a educação do paciente torna-se a ferramenta mais poderosa para garantir o acesso ao melhor tratamento disponível.
Ao receber o diagnóstico, o paciente deve questionar sobre a localização do tumor e se o seu quadro clínico se beneficia da técnica micrográfica. A decisão final deve ser sempre informada. Para mais conteúdos sobre saúde, confira as últimas notícias em nossa categoria especializada.
Fonte: midianews.com.br