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Da fazenda ao porto: o que ainda falta para Mato Grosso transformar Miritituba na principal saída da produção do Nortão?

Carlos Almeida · 24 de junho de 2026

Da fazenda ao porto: o que ainda falta para Mato Grosso transformar Miritituba na principal saída da produção do Nortão?

A rota entre o Norte de Mato Grosso e os portos de Miritituba, no Pará, mudou o mapa da logística brasileira. Considerada uma das alternativas mais rápidas e co

A rota entre o Norte de Mato Grosso e os portos de Miritituba, no Pará, mudou o mapa da logística brasileira. Considerada uma das alternativas mais rápidas e competitivas para levar soja e milho até a exportação, o corredor Norte reduziu distâncias e se tornou estratégico para produtores de cidades como Sorriso, Sinop e toda a região produtora. Mas, apesar dos avanços recentes, principalmente com investimentos na BR-163 em Mato Grosso, especialistas e representantes do setor produtivo apontam que ainda existem desafios para que a rota opere no máximo da sua capacidade. A pergunta que fica é: a duplicação da BR-163 de Sinop até o Pará seria suficiente para resolver o problema? A resposta dos setores envolvidos indica que não. A duplicação melhora o tráfego, reduz acidentes, aumenta a velocidade média dos veículos e dá mais previsibilidade ao transporte. Em Mato Grosso, os investimentos recentes na BR-163 já provocaram mudanças no fluxo de veículos, especialmente no trecho administrado pela Nova Rota do Oeste, com novas entregas de pista duplicada. Porém, o corredor até Miritituba não termina na rodovia. O sistema depende também da estrutura nos portos, dos acessos finais e da capacidade de receber milhares de caminhões durante o período de safra. REPRODUÇÃO CAMINHONEIROS DO TRECHO Miritituba: o novo desafio da logística do Norte A região de Miritituba, em Itaituba (PA), se consolidou como um dos principais pontos de saída da produção agrícola de Mato Grosso pelo chamado Arco Norte. A vantagem é a distância. Para muitos produtores do Norte do Estado, levar a carga para o Pará pode representar menor custo logístico em comparação com os portos tradicionais do Sul e Sudeste. Mas o aumento do movimento trouxe um novo problema: a infraestrutura portuária precisa acompanhar o crescimento da produção. Durante uma caravana realizada pela Famato em fevereiro, representantes do setor identificaram dificuldades no acesso aos portos, filas de caminhões, falta de estrutura para motoristas e pontos críticos no trajeto. Segundo a entidade, ainda existem trechos de acesso com cerca de 8 quilômetros de estrada de terra, situação que pode comprometer o fluxo principalmente no período chuvoso. REPRODUÇÃO CAMINHONEIROS DO TRECHO Duplicar a estrada resolve? A duplicação entre Sinop e Miritituba seria um avanço histórico para a logística brasileira, mas não eliminaria todos os gargalos. O motivo é simples: uma rodovia duplicada consegue levar mais caminhões até o destino, mas se o porto não tiver capacidade para receber essa demanda, o congestionamento apenas muda de lugar. Hoje, o desafio é criar uma operação integrada: rodovia com capacidade maior; acessos pavimentados; mais estrutura de apoio aos caminhoneiros; ampliação dos terminais portuários; organização da chegada dos veículos. Foto: Wenderson Araújo / CNA O caminhoneiro ainda enfrenta dificuldades Durante a visita da Famato aos portos, motoristas relataram problemas relacionados à espera para triagem e descarregamento. O caminhoneiro Luigi Brischiliari afirmou que faltam estruturas básicas durante os períodos de fila, como banheiros e pontos de atendimento. “São muitos pais de família e não está merecendo esse descaso. Abala muito o psicológico”, relatou. Outro motorista, Rodrigo Caiçara, destacou problemas na organização do fluxo, afirmando que a demora na triagem contribui para o acúmulo de caminhões. Estrutura para o caminhoneiro avançou, mas ainda é um desafio Um dos avanços recentes foi a inauguração do Ponto de Parada e Descanso (PPD) da Via Brasil BR-163, em Novo Progresso (PA). A estrutura possui cerca de 40 mil metros quadrados e capacidade para mais de 200 carretas, com banheiros, chuveiros, internet, lavanderia, refeitório e área de descanso. O espaço representa uma melhoria importante, mas, considerando o volume crescente de caminhões durante a safra, o debate é se apenas uma unidade é suficiente. Especialistas defendem que novos pontos semelhantes ao longo do corredor poderiam

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