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Desaparecimento de centenas de peregrinos no Himalaia ocorre em rota de alta periculosidade

Carlos Almeida · 28 de agosto de 2026

Desaparecimento de centenas de peregrinos no Himalaia ocorre em rota de alta periculosidade

Cerca de 1,5 mil pessoas estão desaparecidas após inundações na região do Himalaia, afetando peregrinos que realizavam a sagrada jornada ao Monte Kailash.

Cerca de 1,5 mil pessoas estão desaparecidas após inundações na região do Himalaia, afetando peregrinos que realizavam a sagrada jornada ao Monte Kailash.

A região do Himalaia foi devastada por inundações repentinas na última quarta-feira, deixando aproximadamente 1,5 mil pessoas desaparecidas. Entre as vítimas, encontram-se centenas de peregrinos que realizavam a tradicional jornada rumo ao Monte Kailash, um dos locais mais sagrados para as tradições hindu, budista, jainista e Bon. A peregrinação, que atrai milhares de devotos anualmente, impõe desafios extremos, incluindo um percurso de 52 quilômetros com passagens que atingem 5.630 metros de altitude, onde a oferta de oxigênio é reduzida pela metade.

O Monte Kailash, situado no sudoeste do Tibete, próximo às divisas com o Nepal e a Índia, eleva-se a mais de 6.400 metros. Diferente de outras montanhas, o objetivo dos fiéis não é o cume, mas sim a parikrama , um circuito realizado a pé ao redor da base. Segundo os preceitos religiosos, completar essa volta equivale a 12 anos de penitência e purificação de pecados. Enquanto hindus e budistas percorrem o trajeto no sentido horário, os seguidores da tradição Bon o fazem no sentido anti-horário.

A jornada é marcada por uma complexa combinação de geografia, política e fisiologia. Além da dificuldade física, os peregrinos enfrentam um rigoroso processo burocrático para obter autorizações de entrada no Tibete por parte das autoridades chinesas. Para muitos, o percurso é interrompido antes do fim, seja por exaustão causada pela altitude ou por barreiras administrativas. Desta vez, contudo, a natureza impôs um obstáculo devastador: uma torrente de água barrenta que varreu a região.

O significado espiritual do Kailash é vasto. Para o hinduísmo, é a morada de Shiva e Parvati, enquanto na cosmologia budista e hindu, é associado ao mítico Monte Meru, o centro do mundo. A parikrama tem início em Darchen, a 4.560 metros de altitude, e estende-se por três dias. O ponto crítico é a passagem de Dolma La, onde a escassez de oxigênio pode provocar confusão mental e redução dos reflexos, tornando o trajeto extremamente perigoso.

A logística para acessar a montanha é limitada, concentrando um grande fluxo de pessoas em corredores de alto risco, como o vale do rio Bhote Koshi. Na manhã de quarta-feira, por volta das 8h37 (horário local), um colapso glacial provocou a queda de um bloco de gelo de 600 metros de largura. O impacto gerou uma onda que transbordou o rio, destruindo infraestruturas, estradas e instalações de imigração na fronteira.

O Conselho de Turismo do Nepal indicou que, entre os desaparecidos, há cidadãos de diversas nacionalidades, incluindo 178 indianos, 65 norte-americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos, 25 canadenses e 4 espanhóis. O guru indiano Sadhguru relatou que 77 pessoas ligadas à sua fundação estavam em um centro de imigração em Gyirong no momento do desastre.

Até o momento, as autoridades locais confirmaram pelo menos 389 mortes decorrentes do desastre. A tragédia atingiu uma rota que já era considerada uma provação física e espiritual, onde a instabilidade do terreno e as condições climáticas severas sempre representaram riscos constantes para os devotos que buscam completar o circuito sagrado.

Fonte: rdnews.com.br

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