Desinformação sobre a vacinação infantil contra covid-19
Apenas 5% das crianças brasileiras estão vacinadas contra a covid-19. Entenda como a desinformação sobre a vacinação afeta a saúde pública. Confira agora.
A desinformação sobre a vacinação infantil contra a covid-19 tem gerado consequências graves no Brasil. Atualmente, apenas 5% das crianças pequenas estão protegidas com as três doses recomendadas, conforme dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI). O cenário preocupa autoridades, visto que a doença causou mais de mil internações e 25 óbitos no público infantojuvenil apenas em 2026.
Desinformação sobre a vacinação infantil
Eder Gatti, diretor do PNI, atribui esse baixo índice aos ataques sistemáticos contra os imunizantes realizados durante a pandemia. Segundo ele, o país possui estoques suficientes e contratos de abastecimento em dia, mas o discurso antivacina desestimula a adesão das famílias. O Ministério da Saúde reforça que a hesitação vacinal é o principal fator para o descarte de doses que perdem a validade após o descongelamento.
Desde 2024, o calendário básico recomenda a vacina aos 6, 7 e 9 meses de idade. Contudo, o medo infundado de reações adversas, que motivou grande parte da resistência dos responsáveis, continua a impactar os números. Entre as 25 crianças que faleceram este ano devido à covid-19, 15 tinham menos de dois anos de idade.
O histórico de resistência à imunização é antigo. Entre 2020 e 2022, mais de 23 mil crianças desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave e 1.067 morreram. Em contrapartida, estudos da Universidade de São Paulo indicam que a vacina reduziu em 97% os casos graves nessa faixa etária. Além disso, a covid-19 pode desencadear a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que vitimou 142 crianças e adolescentes entre 2020 e 2023.
Para combater a desinformação, o PNI destaca os seguintes pontos sobre a segurança dos imunizantes:
As vacinas passaram por rigorosos testes de fase um, dois e três, além de monitoramento contínuo. Mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças sem registro de óbitos relacionados ao imunizante. 92% das reações notificadas foram leves, como febre ou dor local. A vacina contra a covid-19 é considerada uma das mais estudadas da história, com cerca de 20 mil trabalhos científicos publicados. O governo federal tem buscado ampliar a cobertura vacinal através de estratégias de microplanejamento nos municípios. Embora a vacinação contra a covid-19 enfrente desafios, outros imunizantes do calendário infantil apresentaram melhora. Em 2023, sete vacinas superaram a meta de 90% de cobertura, um avanço em relação ao período de retomada pós-pandemia.
Além da covid-19, o PNI investe em novas tecnologias para proteger a população. A introdução da vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, por exemplo, reduziu em 50% os casos de bronquiolite em bebês. O programa também expandiu a oferta da vacina contra a dengue e atualizou a proteção contra o pneumococo.
O orçamento do PNI quase dobrou nos últimos anos, alcançando a marca de R$ 10 bilhões previstos para o próximo exercício. O objetivo é garantir a sustentabilidade das ações de saúde pública e evitar retrocessos. Para mais atualizações sobre o tema, acompanhe as últimas notícias em nossa categoria de saúde.
Fonte: jornaldematogrosso.com.br