Espanha contabiliza 5.232 mortes por calor em 2026, recorde
O sistema de monitoramento espanhol registrou o maior número de óbitos atribuídos às altas temperaturas desde o início da série histórica, com foco em idosos.
A Espanha registrou 5.232 mortes associadas às temperaturas extremas desde o início de 2026, atingindo o patamar mais elevado desde que o sistema de Monitorização da Mortalidade Diária (MoMo) começou a compilar dados, em 2015. De acordo com informações provisórias divulgadas nesta segunda-feira, apenas o mês de agosto foi responsável por 2.147 desses óbitos.
É importante ressaltar que o MoMo, órgão vinculado ao Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), não realiza a contagem de mortes com base em certificados de óbito individuais que atestem o calor como causa direta. Em vez disso, o sistema utiliza estimativas estatísticas que cruzam dados de mortalidade geral com os efeitos das variações térmicas no organismo.
Os números registrados em 2026 já ultrapassam os dois verões que detinham os recordes anteriores de mortalidade relacionada ao calor desde a criação da série: o ano de 2022, com 4.789 mortes, e 2023, que somou 3.035. As estatísticas atuais abrangem o período iniciado em 15 de maio, data em que o governo espanhol ativa anualmente seu plano nacional de prevenção contra os efeitos das altas temperaturas na saúde pública.
O mês de julho encerrou com 2.025 mortes atribuídas ao calor, um salto significativo em comparação às 1.060 registradas no mesmo período em 2025. Este foi o segundo julho mais letal da série histórica, ficando atrás apenas de 2022, quando foram estimados 2.217 óbitos.
Quanto a agosto, o balanço parcial aponta 2.147 mortes. Embora o dado ainda seja provisório e precise de cerca de uma semana para ser consolidado, o número já se aproxima das 2.172 mortes contabilizadas em agosto de 2025, que permanece, até o momento, como o agosto mais crítico desde 2015.
O impacto das ondas de calor tem sido desproporcionalmente maior entre a população idosa. Das 5.232 mortes estimadas ao longo deste ano, 5.048 ocorreram entre pessoas com mais de 65 anos. Dentro desse grupo, os indivíduos com mais de 85 anos representam 62% do total, somando 3.256 falecimentos. Além disso, os dados indicam que 60% das vítimas são mulheres.
Este cenário ocorre em um verão marcado por marcas térmicas excepcionais. A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) confirmou que julho de 2026 foi o mais quente da série histórica, empatando com o recorde de 2022, enquanto junho ocupou a posição de segundo mês mais quente desde o início dos registros.
Apesar de o MoMo ter atingido um recorde desde 2015, os números atuais ainda permanecem abaixo das estimativas da histórica onda de calor de 2003, quando cerca de 13 mil mortes foram atribuídas ao calor na Espanha. Foi justamente aquela crise que motivou a criação do plano de prevenção do Ministério da Saúde.
A preocupação com o clima persiste, já que o calor deve se prolongar pelos primeiros dias de setembro. A previsão da Aemet indica que as temperaturas devem permanecer acima dos níveis habituais para esta época do ano em diversas regiões do território espanhol.
Fonte: pt.euronews.com