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Estádio do Tottenham: modelo de gramado retrátil desafia

O estádio do Tottenham utiliza gramado retrátil para eventos. Confira como esse modelo desafia a gestão de arenas no futebol brasileiro e seus impactos.

O estádio do Tottenham , uma estrutura monumental avaliada em 1,2 bilhão de libras, tornou-se o centro de um debate sobre a gestão de arenas esportivas. Em uma análise recente, especialistas discutiram como o modelo londrino, que utiliza um gramado retrátil para viabilizar eventos variados, contrasta com a realidade dos clubes brasileiros.

Diferente das arenas no Brasil, onde o gramado sintético se tornou a solução predominante para permitir o uso múltiplo do espaço, o Tottenham optou por uma tecnologia de ponta. O sistema permite a troca completa do campo em apenas 25 minutos, preservando a grama natural para as partidas de futebol.

O sucesso do estádio do Tottenham e o contraste com o Brasil

Inaugurado em abril de 2019, o estádio é o maior de um clube em Londres. Ele foi concebido desde o projeto original como um centro de entretenimento global. A agenda do local é intensa e diversificada, incluindo:

Shows de artistas internacionais, como Beyoncé e Taylor Swift; Jogos da NFL, com contrato de dez anos para duas partidas por temporada; Eventos esportivos variados, como lutas e rugby; Estruturas de lazer, incluindo pista de kart e um minishopping. Nelson Coltro, que acompanhou a inauguração, descreve a obra como um "Coliseu moderno". O impacto visual e financeiro é inegável, atraindo olhares de outros clubes, como o Arsenal, que chegou a avaliar a transformação do Emirates Stadium em uma arena multiuso, embora sem avançar na ideia.

A crítica central ao cenário brasileiro reside na qualidade do piso. Enquanto o Tottenham investiu em tecnologia para manter a grama natural, muitos clubes nacionais adotaram o sintético. Para especialistas, essa escolha reflete um lobby industrial difícil de combater, mesmo que o futebol, em sua essência, exija o gramado natural.

Por outro lado, o jornalista Tim Vickery levanta uma preocupação sobre a identidade do clube. Ele argumenta que o excesso de eventos corporativos pode alienar o torcedor. O futebol, segundo ele, é uma experiência territorial, e a sensação de "casa" pode ser diluída quando o estádio se torna um centro de lucro constante.

Vickery cita o exemplo do Estudiantes, na Argentina, que buscou retornar ao seu estádio histórico após anos em arenas modernas. O torcedor valoriza o sentimento de pertencimento, algo que pode ser ferido quando o estádio parece mais um local de negócios do que um templo da paixão esportiva.

Além disso, o modelo do Tottenham não é regra na Inglaterra justamente porque o faturamento com direitos de transmissão já sustenta a maioria dos clubes. O investimento massivo na nova arena forçou o clube a buscar receitas alternativas, criando uma dependência de eventos que, a longo prazo, pode gerar um cenário de sustentabilidade complexo.

Para acompanhar mais análises sobre o futebol mundial, acesse nossa categoria de esportes. O debate sobre o futuro das arenas permanece aberto, equilibrando a necessidade de modernização financeira com a preservação da alma do futebol.

Fonte: trivela.com.br