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Infestação por piolhos: entenda os riscos e como tratar corr

O caso da filha de Viih Tube traz à tona mitos sobre a pediculose. Especialista explica que a condição não está ligada à higiene e orienta sobre o tratamento seguro.

A recente situação envolvendo a filha da influenciadora Viih Tube, que contraiu piolhos pouco antes do casamento da mãe, colocou em evidência um desafio recorrente na infância: a pediculose. Longe de ser um problema restrito a questões de higiene, a infestação é comum e se propaga com facilidade no ambiente escolar. Em Mato Grosso, o cenário exige atenção, dado que o estado registrou 172.678 matrículas na educação infantil em 2024, conforme dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica, o que torna a conscientização sobre o tema uma prioridade para a saúde pública.

O médico Matheus Brianez, residente em Saúde da Família e pós-graduando em Dermatologia pela Afya Cuiabá, enfatiza que o estigma social em torno da pediculose é um dos maiores obstáculos para o controle da doença. Segundo o especialista, existe um mito persistente de que o piolho está associado à falta de asseio, quando, na verdade, o parasita tende a preferir cabelos limpos e saudáveis para se fixar e obter nutrientes. Portanto, qualquer criança, independentemente de sua condição socioeconômica ou hábitos de higiene, está sujeita à infestação.

A transmissão ocorre predominantemente pelo contato direto entre as cabeças, uma dinâmica muito frequente durante as brincadeiras e interações diárias entre os pequenos. Brianez esclarece que o piolho não possui a capacidade de pular ou voar; ele se desloca exclusivamente rastejando pelos fios capilares. Por isso, o convívio próximo em salas de aula e pátios escolares facilita a propagação do inseto.

O sintoma mais evidente da presença do parasita é a coceira persistente, que se concentra especialmente na nuca e na região atrás das orelhas. Esse incômodo é uma reação inflamatória provocada pela saliva do piolho durante sua alimentação. Caso o problema não seja tratado prontamente, o quadro pode se agravar: a coceira incessante pode gerar lesões no couro cabeludo, abrindo caminho para infecções bacterianas secundárias que causam dor e pus, exigindo intervenções médicas mais rigorosas.

Diante de um diagnóstico ou suspeita, o especialista alerta para o perigo de recorrer a soluções caseiras, como o uso de vinagre, álcool, querosene ou óleos. Tais substâncias não possuem eficácia comprovada cientificamente e podem ser extremamente prejudiciais à saúde infantil. O médico adverte que esses métodos podem provocar dermatites de contato, irritações severas e até queimaduras no couro cabeludo, especialmente se a criança for exposta ao sol após a aplicação.

O tratamento seguro e eficaz baseia-se no uso de medicamentos pediculicidas recomendados por profissionais de saúde, combinados com a remoção mecânica. O uso do pente fino permanece como uma ferramenta indispensável nesse processo. A recomendação é realizar a inspeção dos fios sob boa luminosidade, dividindo o cabelo em mechas finas e passando o pente da raiz até as pontas para garantir a retirada dos piolhos e das lêndeas.

Além do tratamento direto, é fundamental verificar todos os membros da família. Como o piolho pode sobreviver entre 24 e 48 horas fora do hospedeiro humano, objetos de uso pessoal — como fronhas, toalhas, bonés, tiaras e escovas — devem ser higienizados com água quente ou isolados em sacos plásticos por alguns dias para evitar a reinfestação.

Por fim, o médico ressalta a importância de comunicar a escola sobre o caso. Longe de ser um motivo para constrangimento, o aviso é um ato de responsabilidade coletiva. Ao informar a instituição, os pais permitem que outras famílias realizem a checagem em seus filhos, interrompendo a cadeia de contágio no ambiente escolar. Em Mato Grosso, a Afya Educação Médica Cuiabá oferece atendimentos gratuitos em diversas especialidades, como Pediatria e Dermatologia, mediante agendamento prévio pelo WhatsApp (65) 99689-7280.

Fonte: rdnews.com.br