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Jejum intermitente: entenda a eficácia e os riscos da

O jejum intermitente funciona? Entenda como a estratégia impacta o emagrecimento, os riscos para grupos específicos e a importância da individualidade.

O jejum intermitente tornou-se uma das estratégias nutricionais mais comentadas da última década. Em um cenário onde o excesso de peso atinge 62,6% dos brasileiros adultos e a obesidade alcançou 25,7% da população em 2024 — mais que o dobro do registrado em 2006, segundo dados do Vigitel —, a busca por soluções rápidas cresceu exponencialmente.

Para compreender o método, é fundamental esclarecer que ele não dita o que deve ser ingerido, mas sim o momento da alimentação. Trata-se de uma estratégia que alterna períodos de consumo calórico com janelas de jejum. A simplicidade de controlar o relógio, em vez de contar calorias em diversas refeições, explica boa parte de sua adesão popular.

A realidade por trás do jejum intermitente

Embora existam evidências de que a prática auxilia na redução de gordura corporal e melhora marcadores como glicemia, insulina, pressão arterial e colesterol, o mecanismo de ação é menos glamoroso do que sugerem as redes sociais. O sucesso do método reside, majoritariamente, na redução espontânea da ingestão calórica total.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 no periódico BMJ comparou diferentes protocolos de jejum à restrição calórica contínua. Os resultados mostraram apenas uma diferença trivial a favor da alimentação com tempo restrito. Portanto, o emagrecimento é determinado pelo déficit energético e pelo gasto calórico proveniente de exercícios, não apenas pelo tempo sem comer.

É importante desmistificar promessas exageradas sobre o tema. O jejum não possui propriedades mágicas de "desintoxicação" ou "reset metabólico" que a fisiologia não consegue sustentar. Entre os pontos de atenção, destacam-se:

A necessidade de déficit calórico para a perda de peso real. A importância da adesão individualizada em vez de protocolos genéricos. A atenção aos sinais de má tolerância, como tonturas e irritabilidade. Na prática clínica, a escolha do protocolo deve considerar o perfil do paciente. O método costuma ser mais eficaz para indivíduos que naturalmente preferem comer menos vezes ao dia ou que não sentem fome ao acordar. Contudo, a melhor estratégia é sempre aquela que o paciente consegue sustentar a longo prazo.

Existem grupos que devem evitar a prática, como gestantes, devido à demanda nutricional do feto, e pacientes com diabetes tipo 1 em uso de insulina, pelo risco de hipoglicemia severa. Além disso, pessoas com histórico de transtornos alimentares ou quadros de ansiedade precisam de cautela, pois a restrição pode servir como gatilho para compulsões.

Sinais de alerta indicam que o organismo não está tolerando bem o protocolo. Entre eles, destacam-se fraqueza, tremores, dores de cabeça frequentes e queda no rendimento físico. Além disso, quando o indivíduo desenvolve uma relação obsessiva com o relógio e a contagem das horas para a próxima refeição, o jejum deixa de ser uma ferramenta saudável.

O maior risco atual não é a prática em si, mas a forma como ela é comercializada como uma fórmula universal. A nutrição exige respeito à individualidade biológica e à realidade de cada pessoa. Para conferir mais conteúdos sobre saúde, acesse nossa categoria de notícias.

Antes de adotar qualquer mudança drástica, questione a real necessidade da estratégia. É provável que resultados semelhantes sejam alcançados por caminhos convencionais, focados em calorias adequadas, consumo de proteínas, vegetais, frutas, sono de qualidade e prática regular de exercícios físicos. Para mais informações, acompanhe as últimas notícias .

Fonte: midianews.com.br