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John Galliano e Met Museum cancelam exposição após críticas

A exposição dedicada ao estilista John Galliano, prevista para o Met Gala, foi cancelada após protestos sobre declarações antissemitas e racistas do designer.

O renomado estilista britânico John Galliano e o Metropolitan Museum of Art, localizado em Nova Iorque, optaram pelo cancelamento de uma mostra que deveria marcar a abertura da edição do próximo ano do Met Gala. A exibição tinha como objetivo homenagear os pontos mais significativos da trajetória profissional do estilista, porém, o anúncio feito no mês passado gerou uma onda imediata de críticas, reacendendo debates sobre o discurso antissemita e racista que, no passado, resultou no afastamento de Galliano da indústria da moda.

Na última segunda-feira, a instituição museológica informou que a mostra, intitulada John Galliano: Horizons , não será mais realizada e será substituída por um novo projeto, ainda sem definição de tema ou título. Max Hollein, diretor e CEO do museu, declarou em nota oficial que a decisão foi tomada em conjunto após diálogos prolongados com o estilista.

Por meio de sua conta oficial no Instagram, Galliano compartilhou o comunicado e acrescentou uma reflexão pessoal. O designer afirmou que, após ponderar e discutir com a equipe do Met e outros envolvidos, concluiu, com pesar, que o cancelamento seria a medida mais adequada para o momento atual. Ele reiterou que assume total responsabilidade pela dor gerada por suas falas no passado, destacando especialmente o sofrimento causado às comunidades judaica e asiática, e reforçou seu profundo arrependimento.

A trajetória de Galliano foi marcada por uma ascensão meteórica seguida por uma queda drástica. Durante a década de 1990, ele se consolidou como um dos nomes mais influentes do setor, assumindo a direção criativa da grife francesa Givenchy devido ao seu estilo inovador e ousado. Pouco tempo depois, o grupo LVMH promoveu o estilista ao comando da Dior, elevando seu status a um ícone da cultura pop e do mercado de luxo.

No entanto, o cenário mudou drasticamente em 2011. Às vésperas da apresentação da coleção outono/inverno na Semana de Moda de Paris, Galliano foi gravado proferindo ofensas antissemitas e racistas contra um casal em um café parisiense. Em um dos trechos do vídeo, o estilista chegou a declarar sua admiração por Hitler. O episódio levou à sua demissão imediata da Dior.

Posteriormente, o designer foi julgado e condenado por injúria pública motivada por raça, etnia, religião ou origem. Na ocasião, o Ministério Público classificou as declarações como deploráveis. O tribunal impôs uma multa de 6.000 euros, rejeitando a tese da defesa de que o estilista estaria em um estado de fragilidade emocional devido à perda de um amigo próximo.

A partir de 2013, iniciou-se um processo de reabilitação de sua imagem pública. Com o apoio de Anna Wintour, então diretora da Vogue, Galliano conseguiu uma residência temporária no estúdio de Oscar de la Renta, antes da temporada de moda de Nova Iorque daquele ano. A parceria foi bem avaliada pela crítica, que destacou a teatralidade característica do estilista na coleção de pronto-a-vestir da marca.

Atualmente com 65 anos, Galliano tem pedido desculpas recorrentes por seu comportamento, atribuindo suas ações a um quadro severo de alcoolismo e dependência química. Parte das lideranças judaicas chegou a aceitar o arrependimento do estilista como genuíno, embora o recente cancelamento no Met demonstre que o impacto de suas declarações passadas ainda gera forte resistência no cenário cultural contemporâneo.

Fonte: pt.euronews.com