Júri de ex-vereador Marcos Paccola pela morte de agente soci
O julgamento do ex-vereador Marcos Paccola, acusado de matar Alexandre Miyagawa em 2022, foi adiado para outubro após o réu não constituir novo advogado.
O Tribunal do Júri que julgaria o ex-vereador Marcos Eduardo Ticianel Paccola, agendado inicialmente para esta quinta-feira (27), foi oficialmente adiado. A nova data para a sessão foi fixada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, para o dia 22 de outubro de 2026.
O motivo da alteração no cronograma judicial reside na ausência de um defensor constituído pelo réu. Paccola havia sido notificado no dia 18 de agosto para que apresentasse um novo advogado no prazo de dez dias. Como o prazo final se encerraria apenas no dia 28, após a data prevista para o julgamento, a magistrada optou pelo adiamento para garantir o pleno direito à ampla defesa.
Na decisão, a juíza determinou que, caso o acusado não nomeie um patrono particular dentro do novo prazo estipulado, a Defensoria Pública será automaticamente designada para atuar no caso. O julgamento está agora marcado para ocorrer às 9h do dia 22 de outubro.
Desde que o processo foi instaurado, a defesa de Paccola tem buscado, através de diversos recursos, evitar que o caso fosse levado a júri popular. Pedidos de absolvição sumária e solicitações de reconstituição do crime foram apresentados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém, todos foram indeferidos pelas instâncias superiores.
A antiga equipe de defesa chegou a insistir na necessidade de uma reconstituição do homicídio. Contudo, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira rejeitou a medida, argumentando que tal diligência seria desnecessária. Segundo a magistrada, o conjunto probatório já é robusto, contando com imagens de câmeras de segurança que detalham a dinâmica do crime e um laudo pericial acompanhado de um vasto registro fotográfico.
O crime que vitimou o agente socioeducativo Alexandre Miyagawa, conhecido como "Japão", ocorreu na noite de 1º de julho de 2022, em meio a uma confusão de trânsito nas proximidades do Bairro Quilombo, em Cuiabá. Conforme as investigações, o então vereador teria se aproximado do local, trocado breves palavras com uma testemunha e, em seguida, efetuado disparos pelas costas da vítima.
Após o episódio, no qual assumiu a autoria dos disparos, Marcos Paccola teve seu mandato parlamentar cassado pela Câmara Municipal de Cuiabá por quebra de decoro. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sustenta, em sua denúncia, que o ex-vereador agiu de forma imprudente e com o intuito de projetar uma imagem de "herói".
A acusação destaca a rapidez da ação: segundo o MP, Paccola chegou ao local às 19h15min50seg, conversou com uma pessoa dois segundos depois e, às 19h16min07seg, a vítima já estava alvejada e caída ao solo. Para o órgão ministerial, o réu disparou apenas 15 segundos após chegar à cena, sem ter conhecimento prévio da real situação que ocorria no local.
Fonte: rdnews.com.br