Mato Grosso entra em alerta após aumento do risco de El Niño muito forte durante a safra 2026/27
Carlos Almeida · 12 de julho de 2026
Mato Grosso, maior produtor de soja, milho e algodão do país, entrou em estado de alerta após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos
Mato Grosso, maior produtor de soja, milho e algodão do país, entrou em estado de alerta após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevar de 63% para 81% a probabilidade de o atual El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano. A atua
Mato Grosso, maior produtor de soja, milho e algodão do país, entrou em estado de alerta após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevar de 63% para 81% a probabilidade de o atual El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano.
A atualização, divulgada nesta quinta-feira (9), aumenta a preocupação do setor agropecuário, já que o período coincide com o início do plantio da safra 2026/27. A previsão é de temperaturas acima da média, chuvas irregulares, estiagem prolongada e maior risco de incêndios florestais.
No mês passado, a NOAA confirmou oficialmente o retorno do fenômeno. Agora, a agência informa que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial ganhou força nas últimas semanas e pode colocar este episódio entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950. A expectativa é de que o El Niño permaneça ativo pelo menos até abril de 2027.
Impactos no campo
Historicamente, o El Niño provoca redução das chuvas no Centro-Oeste e elevação das temperaturas, fatores que podem comprometer o calendário agrícola em Mato Grosso.
Segundo especialistas, o atraso na regularização das chuvas pode dificultar o início do plantio da soja, reduzir a janela ideal para a segunda safra de milho e elevar os custos de produção, principalmente com irrigação, manejo das lavouras e consumo de energia elétrica.
A principal preocupação dos produtores é com a produtividade. Caso a estiagem se prolongue, as lavouras podem apresentar menor rendimento, comprometendo a rentabilidade da safra.
Ondas de calor e eventos extremos
Além dos impactos sobre a agricultura, o fenômeno também deve favorecer a ocorrência de ondas de calor mais intensas e frequentes.
De acordo com o meteorologista Tércio Ambrizzi, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o El Niño altera a circulação atmosférica e aumenta a probabilidade de eventos climáticos extremos.
“O El Niño acaba favorecendo essa intensidade em algumas regiões que são mais sensíveis à mudança de circulação atmosférica que ele gera. Também favorece o aumento do número de ondas de calor, embora o próprio aquecimento global já esteja contribuindo para isso”, afirmou.