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Mudanças climáticas impulsionam o aumento de doenças infecciosas no Brasil

Carlos Almeida · 30 de outubro de 2026

Mudanças climáticas impulsionam o aumento de doenças infecciosas no Brasil

Entenda como as mudanças climáticas facilitam a propagação de doenças infecciosas e fúngicas no Brasil. Confira agora os riscos e impactos na saúde.

As mudanças climáticas já causam um aumento significativo de doenças infecciosas em todo o território brasileiro. Historicamente, o clima funcionava como uma barreira natural contra vetores, mas esse cenário mudou drasticamente nas últimas décadas. O Brasil enfrenta agora uma expansão territorial de enfermidades que antes eram restritas a zonas tropicais específicas.

O caso da dengue é emblemático. Enquanto o Rio Grande do Sul possuía proteção natural devido ao frio, o estado registrou quase 210 mil infecções e 281 mortes apenas em 2024. Dados da Fiocruz revelam que o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou entre 2006 e 2024, atingindo 54% do país.

Impacto das mudanças climáticas na saúde pública

A principal causa dessa disseminação reside nas anomalias térmicas. Temperaturas elevadas e alterações nos regimes de umidade favorecem o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti . Além disso, o fenômeno não é exclusivo do Brasil, afetando também países do Hemisfério Norte, como França, Itália e Estados Unidos.

O infectologista Celso Granato destaca que o comportamento do mosquito é diretamente influenciado pelo calor. Os insetos precisam de mais energia em temperaturas altas, o que aumenta a frequência de picadas e, consequentemente, a transmissão viral. Além da dengue, outras patologias ganham força:

Febre do Oropouche: Expandiu-se da Amazônia para 23 estados em apenas um ano. Leptospirose: Aumenta após desastres naturais, como as enchentes no Rio Grande do Sul. Hantavírus: Risco elevado devido à migração de roedores após queimadas e secas. A degradação ambiental e os eventos extremos, como secas e inundações, criam condições ideais para a proliferação de bactérias e vírus. A contaminação da água por esgoto durante enchentes, por exemplo, eleva o risco de hepatite A e problemas gastrointestinais. Portanto, a vigilância sanitária torna-se um desafio crescente para as autoridades de saúde.

Outra ameaça emergente são as doenças fúngicas. A professora Sarah Gonçalves Tavares, da UFES, alerta que o aquecimento global força fungos a se adaptarem a temperaturas mais altas, aproximando-os da temperatura corporal humana. O fungo Candida auris , por exemplo, tem causado surtos hospitalares com alta letalidade no Brasil desde 2020.

A resistência a medicamentos também é um fator preocupante. O uso intensivo de fungicidas na agricultura, impulsionado pela vulnerabilidade das plantações às mudanças climáticas, acelera a seleção de cepas resistentes. Para acompanhar mais atualizações sobre o tema, consulte a nossa categoria de saúde ou as últimas notícias .

Fonte: jornaldematogrosso.com.br

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