Preço das casas na Europa: entenda a alta e os países
O preço das casas na Europa segue em alta, com Portugal e Bulgária liderando o mercado. Confira os fatores econômicos e o impacto das taxas de juros.
O preço das casas na Europa continua a apresentar uma tendência de valorização expressiva em grande parte do continente, embora o ritmo de crescimento varie significativamente entre as nações. No segundo trimestre de 2026, países como Portugal, Bulgária e Espanha registraram saltos de dois dígitos, enquanto mercados como Finlândia, Luxemburgo e França observaram recuos.
De acordo com dados do Eurostat, o bloco da União Europeia registrou uma subida média de 4,7% nos valores imobiliários em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse índice superou a inflação registrada no período, que ficou em 3,2%. A disparidade entre as nações reflete dinâmicas locais distintas, apesar de compartilharem um ambiente econômico comum.
Fatores que impulsionam o preço das casas na Europa
Especialistas apontam que a escassez de oferta habitacional é o principal motor dessa valorização. Em locais como Portugal, a demanda por imóveis em grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto, supera amplamente a capacidade de construção nova. Além disso, o investimento estrangeiro e o turismo aquecido mantêm a pressão sobre os valores.
Abaixo, destacam-se alguns dos países com as maiores variações homólogas no segundo trimestre de 2026:
Portugal: 16,5% Bulgária: 15,5% Lituânia: 14,3% Eslováquia: 13,6% Por outro lado, na Bulgária, o cenário é impulsionado pelo aumento da renda das famílias e pelo acesso facilitado ao crédito hipotecário. Esse movimento de valorização também foi observado na Croácia, Romênia e Hungria, que registraram altas superiores a 10%, conforme apontado nas últimas notícias do setor.
Em contrapartida, a Finlândia, o Luxemburgo e a França foram as únicas nações a registrar quedas nos preços. Mikk Kalmet, especialista do Global Property Guide, explica que, no caso francês, a combinação de taxas hipotecárias elevadas e a incerteza econômica levaram muitos compradores a adiar a aquisição da casa própria.
Entre as maiores economias da zona do euro, a Alemanha apresentou um crescimento tímido de apenas 0,6%. Analistas do ING destacam que o mercado alemão enfrenta um cenário de deterioração na acessibilidade, com a demanda por empréstimos hipotecários em queda devido aos custos de financiamento mais altos.
Ao descontar a inflação, o crescimento real dos preços permanece robusto em diversos países. Portugal, por exemplo, apresentou um aumento real de 12,1%. Em contraste, países como Luxemburgo, França e Alemanha registraram quedas reais, evidenciando que a valorização nominal nem sempre acompanha o poder de compra das famílias.
O futuro do mercado imobiliário europeu permanece incerto, especialmente diante das recentes decisões do Banco Central Europeu. O aumento das taxas de juros em setembro de 2026, visando conter pressões inflacionárias, pode frear a demanda. Portanto, o setor deve observar um crescimento desigual nos próximos trimestres, condicionado pela capacidade de oferta e pelo custo do crédito.
Fonte: pt.euronews.com