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Programa de satélites russo, alternativa à Starlink, falha e

A tentativa russa de criar uma rede de satélites para guiar ataques na Ucrânia sofre com falhas técnicas e limitações logísticas, apesar de manter riscos à segurança.

O ambicioso projeto russo conhecido como Rassvet, concebido para servir como uma contraparte da rede Starlink e auxiliar na orientação de drones e mísseis contra a Ucrânia, tem enfrentado sérios contratempos. Segundo informações do Institute for the Study of War (ISW) , que se baseou em dados de rastreamento via N2YO, nenhum dos 16 satélites lançados em 19 de julho conseguiu atingir a órbita planejada.

O relatório aponta que a maioria desses equipamentos está posicionada entre 300 e 400 quilômetros de altitude, uma marca significativamente inferior aos 870 quilômetros necessários para a operação plena do sistema. A situação é crítica para pelo menos duas unidades, que apresentam sinais de que entrarão em reentrada na atmosfera terrestre. A permanência em altitudes reduzidas impõe uma resistência atmosférica maior, o que acelera o consumo de combustível e reduz drasticamente a vida útil operacional dos satélites.

A conectividade via satélite tornou-se um pilar estratégico no conflito. Para as forças ucranianas, o acesso à Starlink é vital para a coordenação de artilharia, operação de drones de reconhecimento e manutenção de comunicações em áreas onde a infraestrutura terrestre foi devastada. O impacto humano desse conflito é severo: a Missão de Monitorização de Direitos Humanos das Nações Unidas (HRMMU) contabilizou, até o final de julho, mais de 16 mil civis mortos e 51 mil feridos desde o início da invasão em 2022.

Dados da HRMMU indicam que julho de 2026 foi o mês mais letal para civis ucranianos desde março de 2022, com 437 mortes e mais de 2,6 mil feridos. Esse aumento é atribuído à intensificação de bombardeios aéreos e ao uso recorrente de bombas planadoras e ataques de longo alcance. A concretização da constelação Rassvet permitiria à Rússia ampliar a precisão e o alcance de seus ataques, tornando as falhas técnicas do programa um fator de relevância estratégica.

Apesar dos problemas recentes, o programa não está totalmente inativo. Em março, um lançamento anterior colocou 12 satélites na órbita correta de 550 quilômetros. Esses dispositivos proporcionam às tropas russas duas janelas diárias de conexão, totalizando cerca de 90 minutos de operação sobre o território ucraniano. Moscou tem buscado acelerar o desenvolvimento para suprir a perda de acesso à rede Starlink, que foi bloqueada para terminais russos após a implementação de um sistema de verificação pela SpaceX e pelo governo de Kiev.

O ISW ressalta que, embora a Rússia enfrente dificuldades para manter o ritmo de lançamentos, a ameaça persiste. Mesmo uma constelação parcialmente funcional é capaz de conferir maior precisão aos sistemas não tripulados russos. A empresa aeroespacial Bureau 1440 , responsável pelo desenvolvimento, planeja dezenas de novos lançamentos, mas especialistas como Serhii Beskrestnov, ex-conselheiro do Ministério da Defesa ucraniano, estimam que seriam necessários de 200 a 250 satélites para uma cobertura estável, um objetivo improvável a curto prazo.

O principal gargalo logístico é a dependência do foguete Soyuz-2.1b , um recurso escasso e de alto custo. A capacidade atual de lançamentos da Rússia sugere um limite máximo de 128 satélites em quatro anos, caso não ocorram falhas ou desvios de missão. Até o momento, apenas 37,5% dos satélites Rassvet lançados alcançaram uma órbita sustentável.

Em resposta, a Ucrânia tem direcionado ataques contra a infraestrutura que sustenta o programa. Em agosto, instalações como o Progress Space Rocket Center e o Cosmódromo de Plesetsk — de onde partem os lançamentos do Rassvet — foram alvos de ações militares. O ISW conclui que esses ataques ucranianos não apenas pressionam a produção de foguetes, mas também comprometem a escassa infraestrutura de lançamento russa, um fator determinante para a letalidade das operações militares no conflito.

Fonte: pt.euronews.com