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Risco de fechamento do Campi em Várzea Grande preocupa

O presidente do TCE-MT alerta para o risco de fechamento do Campi em Várzea Grande. Confira os detalhes da crise no atendimento a crianças autistas.

risco de fechamento do Campi — O risco de fechamento do Centro de Acolhimento Social (Campi) , localizado em Várzea Grande, acende um alerta sobre a fragilidade da rede de atendimento a crianças com deficiência em Mato Grosso. O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, visitou a unidade nesta segunda-feira (14) para verificar a situação crítica que ameaça o suporte a 348 crianças.

A unidade chegou a suspender suas atividades na última sexta-feira (11) devido à ausência de repasses financeiros aos profissionais. Embora um acordo com a Secretaria Municipal de Educação tenha garantido um aporte de R$ 461,9 mil até esta quarta-feira (16), o valor quita apenas parte da dívida acumulada, mantendo o serviço sob monitoramento constante do órgão de controle.

Risco de fechamento do Campi e impacto social

O diretor do Campi, Anacleto Giraldelli Bezerra, revelou que, das nove notas fiscais emitidas ao longo deste ano, apenas três foram pagas pelo poder público. Ele enfatizou a impossibilidade de manter a operação sem o devido custeio, destacando que a equipe multiprofissional — composta por neurologistas, psiquiatras e terapeutas — tem trabalhado sob condições precárias.

O conselheiro Sérgio Ricardo reforçou que o Tribunal de Contas prioriza a garantia de políticas públicas eficazes para neurodivergentes. Segundo ele, o fechamento de centros especializados não pode ser ignorado, pois fere a dignidade das famílias e a responsabilidade do Estado. Confira outras últimas notícias sobre o acompanhamento do TCE-MT na categoria de políticas públicas.

Dados de uma auditoria operacional realizada pelo TCE-MT revelam um cenário preocupante em todo o estado:

90,3% das famílias relataram interrupções no tratamento de seus filhos. Mais de 50% dos responsáveis notaram regressão no desenvolvimento das crianças durante as pausas. 49,5% das famílias precisaram recorrer à Justiça para garantir o acesso à reabilitação. Apenas 15,9% das famílias utilizam a rede pública especializada de saúde. A auditoria, que ouviu 145 famílias em seis municípios, aponta que o autismo é a principal demanda da reabilitação infantil em Mato Grosso. O levantamento identificou 1.462 crianças matriculadas sem diagnóstico concluído em 70 cidades, além de uma carência severa de protocolos para a transição do atendimento na vida adulta.

Além disso, o custo da judicialização na área de reabilitação infantil atingiu R$ 32,96 milhões entre 2024 e 2025. Em Rondonópolis, especificamente, esse gasto chega a R$ 18 milhões anuais, evidenciando a falha na oferta direta de serviços pelo poder público.

O presidente do TCE-MT ressaltou que o objetivo do Tribunal é atuar de forma orientativa, auxiliando gestores a evitarem erros na execução orçamentária. As informações coletadas durante a inspeção no Campi e na auditoria estadual serão integradas ao Plano de Metas Mato Grosso 2050.

Por fim, Sérgio Ricardo afirmou que o Tribunal busca colaborar com o Estado e os municípios para que o atendimento chegue a quem mais precisa. Ele concluiu que, muitas vezes, a falta de informação ou de recursos impede que o gestor público ofereça o serviço adequado, papel que o órgão pretende suprir com fiscalização e diálogo.

Fonte: jornaldematogrosso.com.br