Zona do euro: inflação em 3,3% sinaliza novo aumento de juro
Com a inflação atingindo 3,3% em agosto, o Banco Central Europeu deve elevar as taxas de juros para 2,50% em sua próxima reunião, em meio a choques na oferta de
Com a inflação atingindo 3,3% em agosto, o Banco Central Europeu deve elevar as taxas de juros para 2,50% em sua próxima reunião, em meio a choques na oferta de energia.
Os custos elevados da energia permanecem como o fator determinante para a escalada inflacionária na zona do euro, conforme apontado em um relatório divulgado na última terça-feira pelos economistas do Banco Central Europeu (BCE), Kristina Barauskaitė Griškevičienė e Claus Brand.
Segundo os especialistas, o cenário atual é marcado por um choque predominante na oferta de energia, enquanto a demanda e os incentivos governamentais exercem uma influência secundária. Eles destacam que essas distinções são cruciais para compreender por que as estratégias de política monetária adotadas agora divergem de períodos anteriores.
O relatório esclarece que a crise atual, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e pelo bloqueio do estreito de Ormuz, possui características distintas da turbulência observada entre 2021 e 2022. Os dados indicam que os problemas na oferta energética foram responsáveis por aproximadamente 90% da alta inflacionária no setor entre janeiro e maio de 2026, período no qual as políticas fiscais e monetárias tiveram um impacto marginal na redução dos preços.
Após o início das hostilidades no Oriente Médio no final de fevereiro, o BCE optou por não elevar as taxas de juros de imediato. A primeira medida de aperto ocorreu apenas em 11 de junho, quando a taxa de depósito subiu de 2% para 2,25%, marcando o primeiro aumento em três anos como uma tentativa de frear a inflação.
Mesmo nas projeções mais favoráveis do BCE na época, que consideravam uma resolução rápida do conflito, a expectativa era de que a inflação retornasse à meta de 2% apenas em 2027. Com a continuidade da guerra e a inflação atingindo 3,3% em agosto — um salto em relação aos 2,9% registrados em julho —, o mercado financeiro antecipa que o BCE elevará as taxas para 2,50% na reunião agendada para 10 de setembro.
O BCE descreveu sua resposta atual como mais “gradual” em comparação com o ciclo de 2021-22, quando a instituição elevou os juros de maneira vigorosa e persistente. Os economistas ressaltam que o surto inflacionário anterior foi alimentado por uma combinação sem precedentes de fatores, tanto de oferta quanto de demanda.
Naquele período, embora a energia fosse um componente relevante, não foi o único motor da inflação. O BCE recorda que, entre 2021 e 2022, o cenário foi agravado por interrupções nas cadeias globais de suprimentos e pelo impacto da invasão da Ucrânia pela Rússia, somados a uma recuperação acelerada da demanda pós-pandemia, que foi potencializada por políticas monetárias e orçamentais expansionistas.
Fonte: pt.euronews.com